Mãe, ainda vou poder jogar bola
com o papai?
Pedro tem 9 anos. 45 dias para operar ou risco de amputação. Uma camisa de time dobrada na cama que talvez nunca vista.
Pedro tem 9 anos.
Mora com o pai e a mãe numa casa simples em frente a uma rua de bairro.
Há três semanas, ele tinha acabado de realizar o sonho de entrar no time de futsal da escola. O primeiro jogo seria no sábado.
A camisa do time — azul, com o número 7 que ele escolheu porque "é o número dos craques" — ainda está dobrada em cima da cama dele.
Ele não vestiu.
"Mãe, ainda vou poder jogar bola com o papai?"
— Pedro, 9 anos, às 3h da manhã
Pedro estava andando de bicicleta na frente de casa.
Coisa de criança. Coisa de sábado de manhã. O pai estava na varanda. Viu tudo.
Um carro acelerou na rua. O motorista estava bêbado. Era a terceira vez que era pego dirigindo embriagado. Nas duas primeiras, pagou fiança e saiu.
Dessa vez, atropelou Pedro. E arrastou por 38 metros.
Depois, fugiu.
O pai correu até o filho. Encontrou o menino no asfalto, a perna destruída, gritando de dor e perguntando se ia morrer.
Diagnóstico.
Fratura exposta grave com perda óssea. Risco de amputação se não fizer enxerto ósseo em 45 dias. Danos nos tecidos que exigem reconstrução cirúrgica. Trauma psicológico — acorda gritando toda noite.
Pedro chora toda noite. De dor. E de medo.
Pedro tem 45 dias.
A cada semana sem cirurgia, o risco de amputação aumenta. O osso precisa de enxerto antes de calcificar errado. Se calcificar, não tem volta.
A fila do SUS é de mais de 1 ano.
Pedro tem 45 dias. A fila é de 12 meses.
Se depender do sistema, ele perde a perna.
O pai vendeu a moto pra pagar os primeiros exames.
O pai do Pedro trabalhava de moto. Fazia entregas. Era o sustento da casa. Agora não tem como trabalhar.
A mãe largou o emprego pra ficar com Pedro no hospital. Alguém precisa estar lá quando ele acorda gritando. Alguém precisa segurar a mão dele durante os curativos.
Hoje, a família sobrevive de cesta básica doada pela igreja do bairro.
Não têm plano de saúde. Não têm reserva. Não têm mais nada pra vender.
E o motorista? Fugiu. Até agora, ninguém encontrou.
A cirurgia custa R$ 98 mil.
2.000 pessoas doando R$ 50 = Pedro andando de novo.
R$ 50. Menos que uma pizza com refrigerante no fim de semana.
R$ 50. A diferença entre um menino de 9 anos correr atrás de uma bola ou passar a vida numa cadeira de rodas.
Escolha como ajudar
Cada real aproxima Pedro da sala de cirurgia.
Mensagens de Apoio (26)
Terceira vez pego bêbado e tava solto. TERCEIRA. Esse país é uma piada de mau gosto. Doei R$100 porque esse menino não pode pagar pelo crime de um sistema falido.
Sou ortopedista. Enxerto ósseo em criança tem janela curta. Se passar de 60 dias, a consolidação viciosa compromete o crescimento do membro. Esse caso é urgente de verdade. Compartilhem.
Tenho um filho de 9 anos. Imaginar ele perguntando se vai poder jogar bola de novo me destruiu. Doei e vou compartilhar em todo grupo que eu tenho.
O motorista fugiu. A Justiça não chegou. O SUS tem fila de um ano.
Pedro tem 45 dias e uma pergunta que a mãe não conseguiu responder:
"Mãe, ainda vou poder jogar bola com o papai?"
A gente pode responder por ela.
Me ajuda a colocar o Pedro de volta em campo. Por favor.